segunda-feira, setembro 05, 2005

Aumentar produtividade com contratação, nem sempre uma boa opção!

Foi se o tempo que a quantidade funcionários era fator essencial para produtividade. Quando criança, um dos meus sonhos era construir um grande império industrial com o máximo de funcionários que pudesse contratar, achando que isso era o suficiente para uma produção eficiente e em larga escala. Hoje sei que essa não é a melhor opção, mas existem muitos empreendedores que ainda pensam assim, e é sobre um desses que farei relato.
Trata-se de uma empresa familiar de venda e manutenção de equipamentos eletrônicos. Conheço o proprietário e os funcionários há anos, respectivamente o pai e o casal de filhos. O Pai ficava com vendas externas, a filha no atendimento e vendas internas, e o rapaz na manutenção e visitas externas.
Há uns três meses fui fazer um pedido e fiquei surpreso ao ver mais um funcionário na empresa. Quando retornei para buscar o que havia comprado, achei o proprietário na loja e começamos a conversar sobre o novato. Disse-me que estava lá há um mês, que era um bom rapaz, e que o tinha contratado para dar uma maior autonomia aos filhos para que pudessem realizar outros afazeres externos, resumindo, ele seria o cão de guarda da loja quando os outros dois estivessem fora. Além disso, queria dar mais responsabilidades aos filhos, buscando agilizar e melhorar os processos na empresa.
Conhecendo a empresa como conhecia, comentei que aquilo não era necessário, que seria muito mais vantajoso para ele alocar as responsabilidades em cada um, de maneira que um ficasse com somente com as externas enquanto que o outro ficava com as internas, ou então, fazer um rodízio, para que ambos pudessem aprender as mesmas funções. Ainda alertei que mais um funcionário deixaria os três ociosos demais, o que ia representar numa menor produtividade. Até porque, a demanda da loja era insuficiente para isso. Enfim, ele resolveu arriscar e acabou pagando pelo erro. A empresa não fechou, pagou ao estagiário mesmo.
Esse é um dos erros que costumo comparar com o vírus da AIDS, sua empresa não vai morrer dele, mas a deixará tão enfraquecida, que uma simples “gripe” pode acabar matando-a. Nesse caso, por ser um faturamento “pequeno”, o empresário logo percebeu onde estava o erro, mas se fosse uma empresa maior certamente demoraria muito mais para corrigi-lo, isso se descobrisse. É por isso que recomendo a vocês que analisem muita bem a necessidade da contratação, muitas vezes é muito mais econômico e produtivo atribuir mais funções a alguém do que contratar uma nova pessoa. Para isto, basta observar mais a sua empresa e seus funcionários.

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